Escritora independente de Balneário Camboriú transforma desabafo feminino em fenômeno editorial e vende mais de 20 mil livros em apenas 12 meses
- shaiisantoss
- há 3 dias
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2 min de leitura
Sem editora, sem agente literário e sem ajuda da grande mídia, ela escreveu um livro sobre cansaço, culpa e silêncio — e tocou a ferida de milhares de brasileiras que viviam exaustas sem entender o porquê. O resultado: R$ 1,8 milhão faturados em um ano e uma fila de mulheres dizendo "ela escreveu sobre mim".

"Eu recém tinha parido minha primeira filha e comecei à ver que não tinha mais tempo pra mim. Eu já tinha o hábito de ler devocionais diários mas pensei: "E se eu escrever um livro com Mensagens Diárias para os problemas reais das mulheres que não se priorizam?". Falei disso com meu marido, ele me olhou na mesma hora com um sorriso que só eu conheço: BINGO! Era isso que eu precisa fazer.
Shaiane Manfro, 36 anos, mãe de duas crianças e moradora de Balneário Camboriú, não imaginava que aquele caderno, dois anos depois, se transformaria no livro mais comentado por mulheres reais nas redes sociais brasileiras.
"Eu não escrevi para ninguém ler. Escrevi porque ia explodir", conta ela, em entrevista exclusiva ao Mulher Atual, na varanda da sua casa em Balneário Camboriú.
“Eu carregava todo mundo nas costas. Marido, filhos, casa, trabalho, a família dele, a minha. Um dia percebi: não tinha mais ninguém me carregando. Nem eu mesma.”
— Shaiane Manfro
O cansaço que ninguém vê
Os números do livro impressionam: mais de 20 mil exemplares vendidos, R$ 1,8 milhão faturados em doze meses, listas de espera para a próxima reimpressão e uma legião de leitoras que confessa, nos comentários, ter chorado da primeira até a última página.
Mas, para entender o fenômeno, é preciso voltar antes do livro. É preciso falar do cansaço.
Um cansaço que não passa com o fim de semana. Que não cede com a massagem, com o vinho, com a série na Netflix. Um cansaço que mora no peito.

Deixa eu te conhecer um pouco. Você sente algum tipo de esgotamento emocional que não sabe como lidar?
Sim, quase todos os dias.
Sim, as vezes.
Não sinto esgotamento. Estou muito bem comigo mesma : )
Por que tantas mulheres se identificaram?
Psicólogas ouvidas pela reportagem afirmam que o livro toca em três feridas pouco discutidas em público:
A culpa de querer descansar quando ainda há roupa para dobrar.
O sentimento de invisibilidade dentro da própria casa.
A convicção, raramente dita em voz alta, de que se perdeu de si mesma em algum ponto entre os 25 e os 40 anos.
"Não é autoajuda. É um espelho", define a psicóloga clínica Renata Albuquerque, que comprou mais de 30 livros para presentear suas pacientes e ainda recomenda o livro. "Quando uma mulher se vê escrita, ela se autoriza a existir."
Fenômeno inesperado no mercado editorial
Em um ano em que o setor editorial brasileiro recuou 4,7%, segundo a Câmara Brasileira do Livro, uma autora independente, sem distribuição em livrarias físicas, vendeu mais que muitos best-sellers nacionais. O livro foi produzido de forma artesanal nos primeiros meses — Shaiane embalava cada exemplar pessoalmente, colocava um bilhete escrito à mão e ia ao correio. "Eu chorava embalando. Era íntimo demais."
Hoje, a operação é maior. Mas o bilhete continua. "Mudou tudo, menos isso."
O livro citado nesta reportagem
O que dizem as leitoras
"Leitoras relatam mudanças emocionais profundas"
Selecionamos quatro entre mais de 5 mil depoimentos enviados à autora nos últimos meses.
+20 mil livros vendidos / R$ 1,8 mi em 12 meses / +47 mil leitoras impactadas / 4,9★ avaliação média
"Milhares de mulheres disseram que este foi o primeiro momento, em anos, em que sentiram que alguém finalmente as compreendia."
Talvez seja a sua vez. Primeiro Eu, O Mundo Depois não é sobre desistir do mundo — é sobre lembrar que você também faz parte dele. E que tem o direito de vir primeiro.
Comentários (2.418)
F
Fernanda Lopes· há 2 horas
Acabei de comprar. Já estava chorando só lendo a reportagem. Obrigada por trazerem essa história.
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A
Aline Pereira· há 5 horas
Eu sou a mulher dessa matéria. Eu não sabia que era tanta gente sentindo a mesma coisa.
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B
Beatriz Andrade· há 1 dia
Comprei para a minha mãe. Ela me ligou chorando. Disse que ninguém nunca tinha dito aquilo para ela. 50 anos.

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